Mundo
Guerra no Médio Oriente
Teerão responde a ataques dos EUA e visa bases norte-americanas na Jordânia
A Guarda Revolucionária do Irão (CGRI) anunciou esta quarta-feira ter atacado uma base militar norte-americana na Jordânia, bem como cerca de vinte embarcações no Golfo, em resposta aos ataques dos EUA contra petroleiros iranianos.
De acordo com um comunicado da Guarda Revolucionária, divulgado pela agência iraniana Tasnim, Teerão atacou a base de Al Azraq, na Jordânia, e dois contratorpedeiros norte-americanos que transportavam mísseis de cruzeiro.
Este ataque, destinado a "punir o agressor", causou danos, nomeadamente, "nas instalações onde estão estacionados os caças F-35, F-16 e F-15, bem como nos abrigos para aviões de combate" da base norte-americana de Al-Azraq, a 100 quilómetros a leste de Amã.Para além disso, o Irão diz ter atacado ainda duas embarcações norte-americanas, oito petroleiros e outros dez navios no Golfo.
O Irão argumenta que estes ataques foram "em resposta à agressão e às ações hostis do exército terrorista norte-americano, que atacou cinco petroleiros iranianos" durante a noite.
O Comando Central do Exército dos Estados Unidos (CentCom) afirmou ter destruído cinco embarcações associadas à Guarda Revolucionária iraniana em resposta aos ataques anteriores de Teerão contra um navio de guerra norte-americano.
"O Irão continua a tentar atacar navios de guerra norte-americanos e, sempre que o fizerem ou tentarem fazê-lo, perderão petroleiros, e penso que irão ver isso novamente hoje", advertiu, por seu lado, o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio durante uma visita à Colômbia.
Na terça-feira, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irão, o general Ali Abdollahi, enfatizou na televisão estatal que "qualquer ataque a petroleiros iranianos desencadeará ataques das forças armadas da República Islâmica do Irão contra bases dos EUA na região".
Drone submarino apreendido
A Guarda Revolucionária afirmou ainda, na terça-feira, ter "capturado um dos mais modernos drones submarinos das forças armadas norte-americanas à entrada do Estreito de Ormuz", num comunicado também divulgado pela televisão estatal.
"Capturámos um dos submarinos não tripulados mais modernos e inteligentes do exército terrorista norte-americano à entrada do Estreito de Ormuz. Este submersível está equipado com tecnologias de ponta", afirmou a Marinha da Guarda Revolucionária.
Os meios de comunicação social estatais iranianos afirmaram que a embarcação era um Dive-LD, um grande veículo submarino autónomo fabricado pela Anduril, uma empresa de defesa da Califórnia. O submersível de 5,8 metros pode realizar missões que incluem contramedidas contra minas, mapeamento do fundo do mar, recolha de informações e inspeção de infraestruturas submarinas, como cabos e condutas, segundo a empresa.
Por sua vez, um porta-voz do Pentágono afirmou que um drone submarino de um “modelo mais antigo” tinha sofrido uma falha técnica na região do Estreito, sem especificar se se tratava da mesma aeronave apreendida pelo Irão.
"Estava a realizar levantamentos em águas regionais em apoio de operações em curso. O drone era um modelo mais antigo que não recolhia dados sensíveis nem transportava equipamento classificado de sonar ou radar", especificou o porta-voz.
A Anduril confirmou a perda de uma das suas embarcações, mas desvalorizou a importância do incidente. "O Dive-LD é um sistema autónomo de baixo custo de substituição, o que significa que foi concebido desde o início para operar em ambientes perigosos onde a perda do veículo é uma possibilidade esperada", disse um porta-voz da empresa.
Brent atinge os 100 dólares
Teerão e Washington continuam a trocar ataques apesar do cessar-fogo estabelecido em abril, que tinha interrompido a fase inicial de intensos bombardeamentos iniciada com o ataque conjunto de Israel e dos EUA, a 28 de fevereiro.
As negociações diplomáticas mantêm-se estagnadas enquanto ambos os lados disputam o controlo do Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto das exportações globais de petróleo e gás.
Desde o início da guerra, o tráfego no local está praticamente paralisado, perturbando os mercados globais de energia e provocando uma escalada dos preços do petróleo.
Pela primeira vez desde o final de julho, o preço do petróleo Brent atingiu os 100 dólares esta quarta-feira.
Por volta das 07h30 (GMT), o preço do barril de petróleo Brent do Mar do Norte para entrega em novembro subiu 2,02%, cotando nos 99,90 dólares, tendo atingido brevemente um máximo de 100,19 dólares.
c/agências